terça-feira, junho 09, 2009
Relembrando... Heróis...
Era uma vez uma casa. Era uma vez, um homem. Era uma vez, uma criança. Era uma vez, um AMOR.
Meu herói está machucado. Ele que me ensinou a ler. Ele que me ensinou a ver as horas. Ele que me ensinou a amarrar os cadarços. Ele que me ensinou a sonhar. Ele que me ensinou a recitar poemas.
Ele que me mostrou as falhas e o horror. Ele que me mostrou um mundo inverso, uma memória fugidia, um sorriso largo, um abraço morno, um afago encantado, um olhar bondoso, uma voz macia, um aperto na orelha, um dedo enfaixado, um olhar duplo sobre uma imagem vazia.
Meu herói tem nome de guerreiro, de filósofo, de professor, de homem da lei, de pai.
Meu herói tem o rosto do Papai Noel, sempre foi meu modelo, meu conselheiro pra teorias idiotas e pra amansar corações desiludidos.
Meu herói sente dor e eu não posso fazer nada por ele.
Meu Pai Herói.
Ele sempre foi de carne e osso mas sempre foi meu herói.
Quero me vestir de heroína, me vestir de she-ra com minha capa vermelha e gritar PAIÊ!
Quero subir no seu colo, fazer cosquinhas no seu pescoço e gritar PAIÊ!
Quero dançar novamente todas as danças, cantar pra você todas as músicas, aprender novamente a ler!
Quero ver você na minha frente com seu sorriso inconsequente vir me contar histórias até o amanhecer.
Quero jogar cartas, passear num avião terrestre, colorir sua agenda, corrigir suas provas, limpar seu carro, aprender a nadar, entrar na faculdade por você!
Quero mostrar pro mundo que é possível viver de Arte, que o que você dizia sobre mulher que tem que admirar o homem e vice-versa é a mais pura verdade do Universo.
Quero te ensinar algo novo, quero sempre ter você ao meu lado. Meu melhor namorado.
Sempre serei seu chuchu, seu balangandã, seu doce de coco e sua flor de maravilha.
Pra sempre te amarei. Nunca se vá. Nunca voe para onde não possa te ver.
Sempre serei sua MARIA.
* Comentários:
Renata R. disse...
" Ai, querida, tô chorando aqui. Como está seu herói? "
Maria disse...
" Meu herói ainda está sendo cuidado... ele melhorou em 10 dias... mas ainda está bastante machucado. Meu herói... não é a toa q eh meu herói... está forte, com o olhar azul querendo dizer coisas q o lábio não é capaz... mas está aqui... quer viver!Obrigada Renata pelo carinho...Não chore... heróis nunca morrem. "
Renata R. disse...
" É porque o meu também é meu herói, Maria "
Maria disse...
" Dê um beijo bem molhado e estalado no seu herói por mim? :)
É um amor que não pára de crescer e nunca morre... é tanta dor que eu sinto que nem se eu escrevesse mil blogs ia melhorar.Desculpa a ausência... tenho sido praticamente uma sombra e uma guardiã dele... fico 12h direto de olho nele... Ele ainda está internado... melhora uma coisa, piora outra... mas está lá firme com seus lindos olhões azuis. Já se passaram 17 dias que ele está sendo cuidado.... Obrigada mais uma vez pelo carinho. "
Relembrando... saudosista...
Mais uma madrugada insone... mais uma vez, saudosista... então fui rever os meus vídeos favoritos no you tube... e ainda aproveitei pra atualizar no orkut...
Mas foi bom, tinha me esquecido de como era antes de crescer. Foi tão bom rever River Phoenix e Audrey Hepburn... há tanto tempo os tinha abandonado nas minhas recordações... tanto problema no presente...
Queria saber o que posso fazer pra voltar a sorrir. Como antes. Atualmente, todos os meus sorrisos, largos, tímidos, escandalosos vêm acompanhados de um tristeza inconveniente. Queria acordar e dar de cara com meu rosto branco e leve. Sair correndo gritando: "Paiiiiiiiiiiiiiiiii! Sabe quanto tirei na prova de matemática?", "Olha o seu novo marcador de livro!", "Hoje vi um filme muito bom no cinema Icaraí..."
Minha vida atual: problemas e lembranças dos bons momentos. Parece que não estou viva. Parece que a qualquer momento acordarei de um pesadelo infindável. Mas o pior de tudo, é que nunca acordo. Quando acordo, quando saio, quando volto, as coisas e as pessoas estão sempre no mesmo lugar. Mas não no mesmo lugar ideal e certo. No lugar errado de uma época errada. Tudo está completamente errado. É apenas isso. É isso que me incomoda. Voltemos ao ano de... 2003, que tal?
Vou continuar a chorar vendo meus videos favoritos... com licença, senhor blog.
Relembrando... Caçulinha...
Não consigo dormir...
tirei um cochilo, só de cansaço...
acordei às 6:30 e dormi... às 4.
Estou com saudades do meu bibê Klimt.
Ele está internado há mais de 48 horas. Não consigo parar de pensar nele.
Parece que vou à rodoviária... Estou mt ansiosa pra buscá-lo no veterinário... e ao mesmo tempo com medo do que vou encontrar.
Ele caiu da área e se machucou como Pietra nunca havia se machucado... to me sentindo tão impotente.
Poderia ter evitado td isso, mas infelizmente não sou a "dona" da casa. Só que agora, mais uma vez, serei a enfermeira da família, agora felina.
Muita coisa tem acontecido na minha vida, principalmente coisas desse tipo. Será que as coisas boas nunca vêm para a minha mão? :(
Eu te amo muito, meu caçulinha!
* Prefiro não comentar... a saudade dele é muita... ainda não me conformei, não tem um dia que ele não surja na minha mente...
Relembrando... professor e meu pai...
Sempre conversei muito com meu pai, mas nunca soube sua cor favorita. Hoje fui perguntá-lo e ele ficou em dúvida entre azul e verde. Bem, eu tenho tantas conversas, brincadeiras com ele em minha memória. Não gostaria de esquecer nada, mas infelizmente minha cabeça anda tão cheia de coisas que estou começando a esquecer fatos importantes.
Boa parte da minha vida, sonhei ser a "garota excêntrica" pra ser igual ao meu pai. Desde os 4 anos, imitava meu pai em tudo. Agenda igual, caneta de adulto igual, mesmos jogos, comecei a datilografar cedo, jogava cartas, guardava os livros dele pra eu ler quando fosse mais velha, imitava a maneira dele escrever e anotar as coisas importantes nos cadernos, até no modo de me vestir, eu era parecida, digo, excentricamente... é claro.
Mas sempre tive uma certeza de que NUNCA seria advogada. Poderia ser igual em tudo, menos nisso. Odiava aqueles processos velhos e rosados amarrados com elásticos igualmente velhos. Odiava aqueles assuntos, mas adorava os filmes de tribunal. Nunca ia conseguir ler aqueles códigos civel, penal...
Fui uma vez ao fórum e claro, detestei. Aos 8 anos comecei a frequentar a faculdade de Direito da UFF. Não assistia todas as aulas, só as do papai, é óbvio! Introdução ao Estudo do Direito. Até nas aulas, papai era excêntrico. Levava sua garrafa de 2 litros de água mineral MINALBA, seus processos velhos, e na maioria das vezes, aparecia com a braguilha da calça aberta e o cabelo molhado (sempre molhava o cabelo quando chegava na faculdade ou no escritório).
Sempre achei meu pai o máximo. Era visível no meu rosto e principalmente no meu olhar brilhante a admiração que eu tinha por ele. Sentava-me no fundo da sala, geralmente, todos me olhavam, estranhavam aquele pirralhinha educada sentada ali. Papai era do tipo de professor que causava amor ou ódio nos seus alunos. Muito inteligente, sempre jogava indiretas mais diretas que o normal e as sacadas dele, as provas então... ele colocava 3 perguntas, mas sempre uma história como introdução. Nada de decoreba... ele queria ver tudo ali: inteligência, estudo, raciocínio... Sempre reclamavam porque papai não passava matéria pra copiar nem o que ia cair nas provas. Eu delirava intimamente com a revolta daqueles idiotas.
Outra coisa maravilhosa era a método utilizado pelo Prof. Gastão pra dar notas. A nota mínina na faculdade era 6 então, pra ele 6 era 0. Ele fazia questão de dizer que quando dava 6, na verdade, estava dando 0. Nem sei enumerar quantas vezes já passei o dia com o papai no trabalho dele, IAPAS, faculdade, e mais tarde, escritório. Adorava estudar com ele, passar o dia com ele, passear com ele, brincar com ele. Ficava revoltada quando falavam que eu não me desgrudava da minha mãe, só porque era ela que me levava ao colégio e ia à padaria comigo comprar picolé e dulkora.
Até os meus 21 anos quando comecei a conhecer outras coisas na vida, eu e meu pai sempre fomos inseparáveis, ele sempre me educou bem e mal, sempre me ensinou coisas certas e erradas, porque ele foi um herói, sim, mas até os meus 15 anos.
Hoje ele continua a ser um pai que eu amo muito e que eu sempre amarei e respeitarei pelos seus erros e acertos como pai. Mas sempre foi um amigo presente. Não posso deixar de falar isso. Um homem excêntrico, engraçado, piadista, ótimo profissional, sincero até demais, bonito, bruto, carinhoso e... MEU PAI!
Relembrando... pensamentos...
Estou aqui, sozinha, em frente a uma máquina velha e sem tinta. Sexta-feira, todas as pessoas se divertem e passeiam observadas pelo luar. Ouço uma música triste e doída nos fundos do prédio dos fundos...
Crianças não choram, gatos não miam nem folhas balançam. Há uma calma incomum nas coisas. Sinto-me estranha dentro de um universo irreal de irrealidades mortas.
Penso em colocar meu vestido branco e longo. Correr até chegar no fim do oceano.
Mas onde poderei ir se meus pés não podem tocar no chão? Borboletas não me rodeiam mais, a estrela mais brilhante e poderosa esqueceu de me iluminar, meu amigo se foi e não sei onde posso encontrar aquele menino sorridente.
Um frio contínuo em meu corpo pálido, minhas mãos longas continuam frias e azuis. Não entendo como ainda posso estar viva, ter sangue vermelho e quente em meu corpo. Meu cabelo tem pouquíssinos fios, e esses poucos são ásperos e frágeis. Quebradiços. Sem vida.
Olho-me no espelho. O que é aquilo? Uma menina? Um espectro de vida!
Um ser com pontos luminosos rodeando seus tristes e perdidos olhos azuis. Um breve feixe de luz consegue aparecer naquele espelho descascado, sujo e com marcas em volta.Conseguirá essa imagem provavelmente desfalecida receber novamente o calor do sol de outono?
Relembrando... Laura...
Eu a amo!Ontem estava melhor. Tive um dia tão agradável... Fui visitar meu filho fila e fui recebida com tantas lambidas que me senti culpada por não ter ido visitá-lo antes.
Senti saudades, é claro, do meu filhote dogue. Ele viveu naquela casa mais de 9 anos. Tudo lembra a ele e até minhas ações me lembram a ele. Não tinha uma vez que eu fosse na janela da saleta que ele não viesse com a cabecinha pra pedir cafuné. E se eu o chamasse: Proust! Lá vinha ele correndo cheio de água babada pra cima de mim. Ainda tem o cheiro dele na casa. Por mais que eu esfregasse as coisas, meu irmão varresse o quintal, ainda tinha o cheiro e a presença dele ali. É difícil.
Tantos lugares me lembram a tantas pessoas.
Tantas músicas me lembram a tantos momentos...
O melhor de ontem realmente foi visitar a afilhada do meu namorado. O casal inconveniente foi quase 23h pra vê-la! Ela tem sido a vida de volta pra mim. Segundo sábado consecutivo que a vejo e a sinto no meu colo. Laura é beleza, pureza, amor. Sinto falta dela. Sinto falta de segurá-la e de apreciá-la. Sim, eu a vejo como uma obra de arte. Seus movimentos, o jeito como sonha...
Ela foi um presente para todos nós! Não é por ser canceriana que eu adoro. Não é isso. Sinto, realmente, que ela vai ser uma menina diferente. Rara. Não só porque o padrinho é raro, mas também por ela ser tão atraentemente calma. É tão bom escrever e sentir isso!
A primeira vez que a segurei no colo, senti-me tão frágil e poderosa. Havia um bebê com menos de 1 mês de vida confiando em mim. Confiando no meu colo. Estava tão tranqüila que até dormiu nele. Nesse momento várias fotos foram tiradas pela mãe babona...
* Ainda bem que essa foto foi tirada! Dá pra ver minha cara de felicidade!
Até hoje sinto tudo isso que falei. Junto a isso, a minha admiração cada vez que Laura, hoje, prestes a completar 3 anos, me corrige, ensina ao padrinho onde fica a creche, mostra sua foto no computador da avó, descobre todas as figurinhas semelhantes quando brincamos de jogo da memória... ai ai...
Relembrando... 9 years...
Relembrando... Proust...
Era uma vez...
Um lindo fim de tarde de julho... saímos eu e meu irmão com o propósito de buscarmos um dogue alemão arlequim. Tínhamos essa fascinação por essa raça, ainda mais com um desenho tão lindo no corpo. Fomos para Cascadura, enfrentamos engarrafamentos e chegamos já à noite.
Fomos apresentados à recente ninhada. Havia pretos... cinzas... e... arlequins! Meu irmão ficou conversando com a dona da casa enquanto eu observava os bebês de 25 dias e pensava... "qual será o meu amigo?" Nessa hora, Mathias se aproximou de mim e falou para eu ficar a vontade e escolher o macho da ninhada... Senti que ele não estava querendo se envolver muito, então fiquei responsável de escolher o filhote.
Olhei, olhei e um chamou a minha atenção. Ele era o diferente da turma, estava afastado dos demais e olhando para a parede. Sabia que filhotes assim não são recomendados. Mas pensei: "ele se parece comigo." Ele era branco com manchas pretas bem desenhadas e uma cinza, o que o fazia inesquecível.
A moça já tinha nos mostrado os machos e nos dado os nomes temporários de cada um. O nome dele era fácil de lembrar: Ronaldinho. Falei: " É aquele! O Ronaldinho! Que está olhando para a parede! "
Ela então me deu aquele serzinho de apenas 25 dias. E uma fraldinha para aquecê-lo. Com cheirinho de leite ninho. Ele era encantador... Tadinho... que nome feinho tinham dado pra ele, mas engraçado ao mesmo tempo.Vim o tempo todo com ele no peito e assim seria por dias... e dias...
Pra ser sincera, cheguei a esquecer do fila filhote que estava na minha casa. O dogue era tão bebezinho, tão carente e frágil. Não podia colocá-lo no chão que ele já começava a chorar bem fininho.
Fomos escolher o nome e para isso peguei meu livro do Marcel Proust. Vi todos os autores da coleção, mas... deu um estalo! PROUST! Esse seria o seu nome! Tudo a ver... O fila se chamava Nietzsche... e era alguns dias mais velho. Eles não se davam muito bem, Proust sempre era agredido e eu sempre o defendia o colocando no meu colo. Eu era uma mãezona.
Chegou o dia de nos separarmos, ele já estava na idade de ir para casa. Já estava vacinado. Já podia andar na rua.Que falta daquele cheirinho de leite ninho... daquele serzinho no meu peito ou na cama, dormindo junto de mim embaixo do cobertor. Sempre nos demos muito bem, mas ele começou a ficar muito nervoso com o fila. Logo o Nietzsche morreu, com apenas 4 meses e Proust ficou sozinho. Um tempo depois, compramos o boxer mini " toy " Burt e isso deixou o Proust mais nervoso. Começamos a nos desentender mas mesmo assim, ainda o amava muito. Brigávamos e fazíamos as pazes.
Depois de um tempo compramos outro fila, Laurent, que seria seu companheiro de anos. Inseparáveis. Amigos e inimigos. Unidos e não.
Quando Burt morreu, Proust voltou a ser o que era: carinhoso comigo. Perdi meu querido boxer, mas reconquistei meu filho e amigo. Olhar triste, boca de 'babaloo', dentes finos, patas longas e um andar galopante. Meu cavalinho. Meu bebê. Meu filhote. Horas, horas, horas de cafuné na orelhona que não cortamos. Olhar triste que me acompanhava... cheirinho eterno de filhote, mesmo com 9 anos. Um gentleman, um senhor, um francês fino... A frieza de alemão escondida num olhar bom. Não teve uma vida fácil, mas sempre superou os seus problemas.
Lembro-me da primeira vez que o Gustavo o viu: '' Olá David Bowie! '' Tudo porque, elegantemente, ele tinha um olho azul e outro castanho. O azul possuía uma moldura preta de pirata, que o realçava ainda mais.
Proust. Canceriano. Bobo... acreditava em tudo que via e ouvia. Tão atrapalhado, desengonçado, estabanado... tropeçava nas próprias patas longas de modelo. Nem latir sabia... Achava que pra latir tinha que saltitar... Lerdo... levava horas até tomar atitude. Medroso... "O que eram aquelas luzes no dia 31 de dezembro?", ele devia pensar. Então perguntava, latindo medrosamente para o céu.
No seu aniversário desse ano dei o presente que ele mais gostava depois do pão, é claro. Patê!
Não sei o que estou fazendo aqui...
Mas sei que estou ouvindo Five Years do David Bowie.
E que nem chorar direito eu sei. Estou evitando pensar nele. A dor é forte e diferente da que eu sinto pelo Felipe. Sim, a saudade dele ainda dói muito.
Proust sempre será um cão de ouro. Nunca me esquecerei dos seus longos banhos. Como amava água! Como amava banho! Como amava sol! Como o amo!
Sabe, as coisas realmente são muito estranhas. Nesse ano, dei o último presente, tirei abraçada a ele a última foto. Pelo menos, Felipe o está acompanhado agora e os irmãos poderão finalmente se conhecer. Já melhorei do pensamento de que estou passando por tanto sofrimento em menos de 2 meses porque não quis mais ser veterinária. Sei que posso fazer outras coisas pra alegira das pessoas, como tirar fotos... Mas, pensar que não o verei nunca mais, que não farei cafuné na sua orelhona nunca mais, que não farei mais cosquinhas na cabeça...
Por quê? Estou com tanto medo. Ver meus pais envelhecerem, meus animais envelhecerem. A graça está acabando... a vida está mudando muito. Não sei se me acostumarei a uma vida sem Felipe enrugado e Proust cavalinho. Chega de dor, por favor. Estou cansada. Minha cabeça dói. E essa dor nunca cessa.
Chega!
Relembrando... Nessa e eu...
Não me lembro ao certo há quanto tempo estou no orkut. Mas posso dizer com toda certeza quantos amigos, bons amigos, fiz lá. A primeira pessoa surgiu numa comunidade sobre cancerianos... tinha que ser...
Eu vi a menina que criou o tópico "Quem nasceu dia 13 de julho também" e fui visitar e comentar. Essa mesma menina foi a que mais chamou a minha atenção: ela era engraçada, misteriosa, professora, fazia faculdade de Letras, gosta praticamente dos mesmo filmes que eu, é branquinha, usa óculos e... tem quase todas as manias que eu tenho! O nome dela é Vanessa Maria... mora no Sul e hoje é minha irmã gêmea, como costumo falar. Eu me tornei sua irmã na "força".
Estava sempre visitando seu perfil e suas comunidades e descobrindo mais afinidades. Nós passamos a conversar por messenger e mais afinidades surgiram. Até que ela me contou um segredo dela, que coincidentemente era o mesmo que eu tinha na sua idade! Então, não tinha mais como fugir de mim. Ela aceitou, me chama de sua irmã gêmula e ela é minha caçulinha gêmea! Há uma amizade tão diferente, nós nos conhecemos por causa de uma comunidade e hoje somos inseparáveis. Sinto falta dela e ela sente a minha. Eu escrevo emails pra tranquilizá-la de que estou bem e a vontade de conhecê-la pessoalmente só cresce. Nossos testemunhos demonstram muito o que somos.
Espero ansiosamente pela sua vinda ao Rio de Janeiro e digo que se tenho 169 amigos no orkut, ela foi a minha primeira amiga verdadeira do orkut.
Uma homenagem à minha irmãzinha!
* Comentários:
Nessa Mª disse...
" Lindaaaaaaaaaaaa!!! :) Só agora q eu consegui vir aqui! Mana, eu AMEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Bah, tô sem palavras.... :) Tenha certeza de q oq temos é mt verdadeiro e q estou aqui pro q der e vier!! TE ADORO!! Bjos "
Relembrando... Amor de madrasta...

Saudade. Que palavra dolorida de dizer e escrever... Não pensava que aquele cachorro enrugado fosse me encantar tanto assim. Eu sempre quis conhecê-lo mas nunca ninguém me apresentou a ele. Os anos passando e ele crescendo. Foi preciso começar a namorar o pai dele pra poder finalmente ver e conhecer o famoso Felipe!
Ainda era companheira de aventuras do pai dele quando o conheci. Infelizmente num dos piores dias da minha vida. Ele veio correndo em minha direção sem nunca ter me visto, nem me deixou abraçar o pai de tanto ciúme. Depois quis fazer coisas feias... Mais tarde fui descobrir que ele fazia isso com todas as mulheres que ele conhecia... Mas fiquei assustada colocando o banquinho na frente pra evitar o pior.
Passei a freqüentar mais a casa da família e com isso a intimidade entre nós dois aumentando. Até então era uma relação normal. Eu visitava o pai, passeava com eles, brincava, fazia carinhos, acompanhava ao veterinário...
Então, um dia ele precisou fazer algo mais sério no veterinário, tentaram prendê-lo e ele ficou com medo. Senti uma dor aterradora ao me deparar com aqueles belos olhinhos amendoados e tristes. Eu era mãe de mais uma criança! A partir dali nossa relação mudou. Quando comecei a namorar, pensava que não seria aceita como madrasta, mas algo muito melhor aconteceu. Tornei-me mãe! Ele era e é meu filho. Não tem jeito, vivemos muita coisa juntos nesses quase cinco anos. Quantas vezes fui mais mãe dele do que dos meus próprios filhotes. Quantas vezes!Mas isso tudo foi pra contar como dói a ausência. Nesse último ano, nossos laços estavam mais amarrados, quase indestrutíveis. Passava dias e noites com ele. Filmes, bolinha, paninhos, caminha, coleira, b-i-s, p~o...
Ser acordada com um cheirinho no nariz, aquele cheirinho molhado, aquelas patinhas sapateando no assoalho toda noite pra fazer a ronda. E o pão... Ai, meu Deus, como dói!!!! Queria fazer uma homenagem a ele, mas além de tirar fotos só sei escrever. Eu o amo muito. Dói muito. Sofro muito. Já tive vários filhotes, mas tão inteligente como o Felipe, não sei... ainda acho que ele era humano, uma pessoa presa num corpo de animal. Aquele olhar, a maneira como entendia a nossa tristeza, o que falávamos, tanto que passamos a falar em códigos, como bis para biscrock, p~o para pão, porque ele já conhecia todas essas palavras. Dizíamos o nome das pessoas e ele já se dirigia a elas, ou imitávamos um tom de voz e ele já ia procurar o seu amigo pela casa.
Sinto que ele ainda vai voltar, que como estou doente, não o vejo por esse motivo. Vou tocar a campainha e sentirei as patinhas e o "ufff" dele na porta. Abrirão a porta e ele com o rabinho voador me pegará pelo pulso e me levará pra onde o pai dele estiver. Só então poderei acariciá-lo. Ele pegará a sua bolinha e desmanchará toda a caminha bem feita pela avó. Não sei porque estou escrevendo tudo isso. Há tempos não tenho mais diário, também não tenho mais segredos como outrora. Quando perdia meus amores, nisso incluo, bichos, avó, tios... eu escrevia e me sentia melhor. Bem, deixo aqui parte da minha vida com Felipe. Parte do meu amor por ele, porque é impossível descrever e escrever sobre esse animal em apenas um simples blog. Aprendi muito com Felipe e sua inteligênica fora do comum. E saber que eu era amada, faz eu me sentir melhor. Ser olhada, acariciada como mãe, faz eu ter certeza que ele era o meu bebê, meu filhote preto. Meu baboso. Felipe sempre estará presente em muitos corações, em muitas mentes e com aquele olhar de "quero pão".
Eu te amo muito, meu bebê!
Adeus, beijos, mais abraços e cheirinho em você pra sempre!
* Comentários:
Paulinho disse: " o texto é lindo e só fortalece minha convicção de que um dia, não importa quando vc, Gustavo e família o reencontrarão.acredito nisso desde quando perdi minha avó... "
Cris disse: " vim aqui ler o seu texto novbamente e, novamente, sinto que as lágrimas quase me chegam aos olhos. impossível não sofrer e não se emocionar lendo o seu relato tão verdadeiro. também acho que há animais que abrigam seres humanos dentro deles. a minha samara é uma delas e, talvez por isso, eu entendo tão bem o que você quer dizer. sei que deve estar doendo, mas o tempo vai trazer coisas boas pra vocês e o felipe será sempre um filhote a ser lembrado com ternura. obrigada pelo lindo texto. um beijo! "
* Agora que releio... nossa... que saudade... emocionante... depois de tanto tempo não consigo ainda descrever o que eu sinto... a ausência... a saudade nunca passa.
Relembrando... Amor é...
Estava me lembrando de coisas que já ouvi durante a minha vida. É impressionante como há pessoas que não têm noção dos absurdos que falam em público. Uma das coisas que mais me irrita é falar mal dos bichos. Sempre fui defensora de todos eles, até mesmo das pobres baratinhas e dos mal vistos urubus...
E hoje em dia não sou muito diferente do que eu era quando tinha 4 anos. Já nasci numa casa onde os animais faziam parte da família. Comiam e dormiam dentro de casa e até assistiam televisão com a gente. Tinham todos os cuidados que mereciam ou não. Sim, porque assim como as pessoas, eles têm caráter e humor!
Meu primeiro contato foi com uma cadelinha mestiça que havia se mudado lá pra casa antes de eu nascer. Ela era tão querida que eu não ligava de ser colocada em segundo plano. Uma das figurinhas mais meigas e fofas e agradecidas que eu tenho conhecimento! Seus olhos amendoados ainda moram em mim. Nós não éramos tão íntimas nas brincadeiras, até porque ela já tinha mais idade que eu e não suportava brincadeiras como piques e pegas. Mas nas conversas, éramos as melhores amigas. Ela presenciou minha primeira cena de ciúme... que bobagem... um garoto que eu gostava quando tinha 6 anos e que estava na calçada namorando... Mas ela foi a minha melhor ouvinte, até porque quem entenderia uma menina dessa idade sofrendo por um garoto?
Ela viveu bem e foi muito amada. Foram 14 anos de carinho e passeios quase diários. Sofreu também com as brincadeiras idiotas dos meninos, mas soube aproiveitar muito a sua velhice. Na véspera de falecer, brincamos e nos divertimos. Nunca vou entender como alguém pode não gostar ou ter nojo de bichos! Nunca! Eu sou tão próxima deles que ainda hoje faço amizade com cães e gatos de rua. São tão especiais esses seres! Não sei imaginar a minha vida sem eles. Piegas? Mas é uma verdade!
Relembrando... Tempestade...
Chega de saudade.
Chega de querer voltar no tempo.
Chega de querer ir em busca do Tempo Perdido.
Chega!!!!
Não vamos mais perder tempo, isso sim!
Daqui a pouco o ano passa e com ele mais uma idade se vai.
E com ele você cada vez mais velho.
Vamos viver, crescer, descobrir.
Sem essa de ir em busca do que já foi, do que já não pode mais.
Lembranças são sempre bem vindas, mas sem exagero. Sem aquela tortura de querer repetir o que foi e não será mais.
Ah, que saudade do meu sapato marron, da minha meia de ursinho, da minha calça jeans favorita, da minha pureza quase infantil.
Do sol daquela tarde de janeiro que caía sobre a gente, e o movimento das flores e das crianças em sintonia!
Dos olhares que sem querer se cruzavam e assim permaneciam por segundos intermináveis.
Mas nessa época, quem eu era? Tinha nome e sobrenome? Tinha algo pra acrescentar? Ou apenas justificar?
Infelizmente o casulo está retornando à minha pele. Não quero que ele me prenda novamente. Não quero viver nisso. Não.
Mas como antes, como sairei ilesa? Quem me puxará para fora dele?
Ah, tantas perguntas idiotas sem resposta! Não tenho a mesma idade... não tenho a mesma esperança nem os mesmos anseios.
Sinto que a caverna escura me chama com mais força do que outrora. Ah, que vontade de voltar para lá...
Quem irá me deter dessa vez?
* Comentários:
paulinho disse...
" Maria,
Este blog está repleto de lindos textos cancerianos. Que tal inserir fotos da autora nos textos biográficos? Para uma boa escritoranada mlehor do que uma boa fotógrafa para acompanhar. Soou como propaganda de cerveja ou guaraná. rs... "
Relembrando... essa chuva que não pára...
Não estou saudosista, apenas estão vindo lembranças agradáveis...
Papai ouvindo suas músicas bregas, fumando e eu no carrinho vermelho. Sexta-feira. Era sempre a mesma cena. E o mesmo cheiro de gasolina. A luz branca e fraca na rua escura. Roupas remanescentes da década passada ainda podiam ser vistas na rua. Meu carrinho vermelho era tão 70! Papai com suas enormes costeletas, mamãe com seu coque negro... A cachorrinha corria pela sala exótica. Tão exótica que tinha uma chaminé fake! Meu troninho azul, meu cheirinho de toddy. Programação da madrugada na casa excêntrica. Meus horríveis bonequinhos de massinha colorida e cheiro de pipoca no ar. Meninos correndo e eu observando tudo com olhos inocentes e críticos. Por que os meus 4 anos me marcaram tanto? Minhas recordações sempre vêm de lá, daquele ano... 1984... Ah, que sensação maravilhosa... papai com sua blusa de botão aberta no peito, seu cordão e eu em seu colo. Cheiro de pai, carinho de pai. Força e segurança. Ainda posso sentir minha pequena cabeça acomodada. E o soninho chegando. Não tinha sonhos, não tinha desejos nem medos. Que época boa! Podia chorar. Era criança. Crianças podem chorar, podem ter medo. Logo, mamãe colocaria meu pijama de bolinhas azuis e me colocaria no berço improvisado. E na manhã seguinte, acordaria feliz pra ver meus irmãos irem pra escola! E brincaria a tarde toda com meu amiguinho, com meus bichinhos. Colaria as minhas figurinhas. Riria com as palhaçadas dos meus irmãos mais velhos e dormiria. Talvez sonhasse com um bicho papão.
Relembrando... 4 anos...
Nasci num lugar estranho aos olhos de uma pessoa dita normal. Meu berço ficava no meio de uma sala cheia de livros, cigarros e gim. Os objetos eram também estranhos... galos de prata, vasos sem fundo, chaminé sem fogo, uma televisão em preto e branco. Meninos travessos corriam na minha frente sem se importar com reclamações vindas da cozinha. Um cheiro inexplicável de chocolate emanava de meu travesseirinho de estimação. A manhã era uma das minhas partes favoritas do dia. Os meninos iam para a escola e eu ficava livre para brincar e sonhar. Via televisão sem ser incomodada e os programas eram os mais adultos possíveis. Não me lembro de ver desenhos animados nessa época. Já era criança, não precisava me ver representada em bonecos. Tinha um amigo, 1 ano mais novo que eu, que de vez em quando ia brincar comigo. Não gostava muito da companhia de outras crianças, meu irmãos e primos me bastavam. Ele era tão menino, inocente e eu não tinha pena das brincadeiras que os mais velhos faziam com ele. Pelo contrário, eu até me divertia. Havia uma malícia infantil em se ver outra criança ter medo. Costumávamos brigar por comida. Não uma qualquer, mas... miojo! Isso é irrelevante demais, mas não podia deixar de mencionar a razão dos nossos freqüentes atritos. Nessa mesma época, comecei a sentir algo estranho quando ficava perto dos animais da casa. Eles me davam e traziam sempre os meus melhores sentimentos. Logo surgiu em casa, uma gatinha cinza chumbo com branco, era tão pequenina e indefesa... Não conseguia imaginar nada de ruim contra ela. Eu a defendia. Eu queria o bem dela. Era certo aquilo: participava das brincadeiras dos meninos mas eu era uma menina. Meu lugar era ao lado dos animais da casa. E seria assim durante um bom tempo.A imagem que vem a minha cabeça: eu segurando a gatinha de uns 3 meses na palma da minha mão esquerda.À noite, eu era levada para o meu berço. Ele estava sempre mudando de lugar. E ficava olhando meus bonecos estranhos na parede amarelada do quarto. Sombras e reflexos surgiam cada vez que direcionava meu olhar pra fora do berço. Aquela pequena prisão. Detestável. Na sala, papai assistia O Corujão. Ai, bons tempos!
* Comentário:
luiza disse...
" Acho que todo mundo tem um pouco de romântico no fundo e aquele sentimento de saudade à infância, que talvez seja verdade, é a melhor época da vida... Hehe, sou eu, claro que você pode me add! faz um tempão que eu não entro no computador e não atualizo o meu blog, mas eu vou tentar fazer isso com mais frequência! e entrar no seu blog, porque você escreve muito bem! :) Beijos! "
Relembrando... Ex futura veterinária...
Quando eu tinha uns sete anos, decidi qual seria a minha carreira: veterinária! Estava certa. E ponto. Era isso e nunca mudaria.
Como faltavam muitos anos pra eu chegar à faculdade, comecei a estudar naquele momento por conta própria. Pesquisava em livros de biologia, revistas de animais, conversava com a veterinária e tirava dúvidas. Tinha os meus dois cadernos de anotações, onde colava matérias interessantes e meus estudos sobre doenças e remédios. Minhas gatas grávidas eram a maravilha completa!
Eu colocava meu jaleco, examinava a barriga e identificava quantos bebezinhos estavam pra nascer. Desenhava a barriga imitando radiografia. Podem falar... "que falta do que fazer!" Mas e se eu disser que aprendi muita coisa e até hoje sou louca por Biologia e "Ciência e Vida" do jornal?
Desejei aquilo por tanto tempo e com tanto amor que na hora de escolher minha carreira aos 18 anos, não queria mais saber daquilo... Muita coisa tinha se passado nesses 10 anos... perdi gatos, cachorros, tartaruga, chorei muito, decepções e revoltas... Não tinha mais o sangue frio, nem a coragem pra abrir uma barriga ou costurar um ferimento. Hoje em dia, não posso ouvir certas coisas que já estremeço.
E já estou farta de doenças. Meu pai sempre me deu força e até me deu um carimbo com o nome da clínica e o da Dra Maria Cristina... mas sempre repetiu:
"Não basta amar os animais pra ser veterinária, tem que ter vocação. Você tem certeza, minha filha?"
E ficava revoltada com ele, mas não é que ele tinha razão? As minhas dúvidas começaram a aparecer quando me vi no seguinte dilema: "Passo mais tempo lendo, escrevendo sobre cinema que outra coisa. O que eu preferiria? Viajar fazendo filmes ou ficar o dia inteiro num consultório?"
Comecei a me sentir culpada, estava desistindo de ajudar os animais... pra viver no mundo dos sonhos... logo eu, que sempre admirei São Francisco e Santa Clara.
Tive que crescer, amadurecer, é claro, pra entender que posso ajudar os animais e as pessoas de outra forma, não só sendo médica, mas me dá uma raiva quando vejo a ignorância da maioria dos veterinários e a frieza excessiva deles... Bem, eu não costumo falar sobre essas coisas, mas meu bebê está doente e estou com medo de ter mais uma perda em menos de 2 meses.Vou indo.
Relembrando...
11 de setembro de 2007:
Oi blog,
Houve um tempo em que olhar o mar me fazia bem. Ficava horas olhando, admirando, vendo cada detalhe das ondas, das cores que se transformavam na minha frente. Era um tempo bom.
Olhar o mar melhorava muito a dor e o tédio da minha vida. Agora não mais. Estou numa fase de transformação interna, externa, tridimensional, periférica. Mar, sol, pássaros, brisa ainda me deixam feliz, mas temporariamente, deixam um breve sorrir em meus lábios.
Há tanto contraste entre o que sou por fora e por dentro. Entre a idade que tenho, a que aparento ter e a que eu sinto ter. Em instantes posso pular dos meus 10 anos pros 60 e voltar pros 28, que por sinal, ainda não vivi direito.
Agora, a praia está linda. Pessoas caminham, sorriem, conversam e fazem planos. Agora, eu estou aqui. Cansada, desiludida, entediada e... muda. Escrevo o que surge, não penso em nada, só o que sai dessa minha cabeça louca e saudosista.
Não caminho, não sorrio, não converso e não faço planos. Sonhos quem sabe...
Mas planos? Planos são sonhos?
Acho melhor sair daqui antes que comece a falar besteira... :(

