terça-feira, junho 09, 2009

Relembrando... 4 anos...

30 de março de 2006

Nasci num lugar estranho aos olhos de uma pessoa dita normal. Meu berço ficava no meio de uma sala cheia de livros, cigarros e gim. Os objetos eram também estranhos... galos de prata, vasos sem fundo, chaminé sem fogo, uma televisão em preto e branco. Meninos travessos corriam na minha frente sem se importar com reclamações vindas da cozinha. Um cheiro inexplicável de chocolate emanava de meu travesseirinho de estimação. A manhã era uma das minhas partes favoritas do dia. Os meninos iam para a escola e eu ficava livre para brincar e sonhar. Via televisão sem ser incomodada e os programas eram os mais adultos possíveis. Não me lembro de ver desenhos animados nessa época. Já era criança, não precisava me ver representada em bonecos. Tinha um amigo, 1 ano mais novo que eu, que de vez em quando ia brincar comigo. Não gostava muito da companhia de outras crianças, meu irmãos e primos me bastavam. Ele era tão menino, inocente e eu não tinha pena das brincadeiras que os mais velhos faziam com ele. Pelo contrário, eu até me divertia. Havia uma malícia infantil em se ver outra criança ter medo. Costumávamos brigar por comida. Não uma qualquer, mas... miojo! Isso é irrelevante demais, mas não podia deixar de mencionar a razão dos nossos freqüentes atritos. Nessa mesma época, comecei a sentir algo estranho quando ficava perto dos animais da casa. Eles me davam e traziam sempre os meus melhores sentimentos. Logo surgiu em casa, uma gatinha cinza chumbo com branco, era tão pequenina e indefesa... Não conseguia imaginar nada de ruim contra ela. Eu a defendia. Eu queria o bem dela. Era certo aquilo: participava das brincadeiras dos meninos mas eu era uma menina. Meu lugar era ao lado dos animais da casa. E seria assim durante um bom tempo.A imagem que vem a minha cabeça: eu segurando a gatinha de uns 3 meses na palma da minha mão esquerda.À noite, eu era levada para o meu berço. Ele estava sempre mudando de lugar. E ficava olhando meus bonecos estranhos na parede amarelada do quarto. Sombras e reflexos surgiam cada vez que direcionava meu olhar pra fora do berço. Aquela pequena prisão. Detestável. Na sala, papai assistia O Corujão. Ai, bons tempos!

* Comentário:

luiza disse...
" Acho que todo mundo tem um pouco de romântico no fundo e aquele sentimento de saudade à infância, que talvez seja verdade, é a melhor época da vida... Hehe, sou eu, claro que você pode me add! faz um tempão que eu não entro no computador e não atualizo o meu blog, mas eu vou tentar fazer isso com mais frequência! e entrar no seu blog, porque você escreve muito bem! :) Beijos! "




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