terça-feira, junho 09, 2009

Relembrando... Amor de madrasta...

13 de junho de 2006



Saudade. Que palavra dolorida de dizer e escrever... Não pensava que aquele cachorro enrugado fosse me encantar tanto assim. Eu sempre quis conhecê-lo mas nunca ninguém me apresentou a ele. Os anos passando e ele crescendo. Foi preciso começar a namorar o pai dele pra poder finalmente ver e conhecer o famoso Felipe!
Ainda era companheira de aventuras do pai dele quando o conheci. Infelizmente num dos piores dias da minha vida. Ele veio correndo em minha direção sem nunca ter me visto, nem me deixou abraçar o pai de tanto ciúme. Depois quis fazer coisas feias... Mais tarde fui descobrir que ele fazia isso com todas as mulheres que ele conhecia... Mas fiquei assustada colocando o banquinho na frente pra evitar o pior.
Passei a freqüentar mais a casa da família e com isso a intimidade entre nós dois aumentando. Até então era uma relação normal. Eu visitava o pai, passeava com eles, brincava, fazia carinhos, acompanhava ao veterinário...
Então, um dia ele precisou fazer algo mais sério no veterinário, tentaram prendê-lo e ele ficou com medo. Senti uma dor aterradora ao me deparar com aqueles belos olhinhos amendoados e tristes. Eu era mãe de mais uma criança! A partir dali nossa relação mudou. Quando comecei a namorar, pensava que não seria aceita como madrasta, mas algo muito melhor aconteceu. Tornei-me mãe! Ele era e é meu filho. Não tem jeito, vivemos muita coisa juntos nesses quase cinco anos. Quantas vezes fui mais mãe dele do que dos meus próprios filhotes. Quantas vezes!Mas isso tudo foi pra contar como dói a ausência. Nesse último ano, nossos laços estavam mais amarrados, quase indestrutíveis. Passava dias e noites com ele. Filmes, bolinha, paninhos, caminha, coleira, b-i-s, p~o...
Ser acordada com um cheirinho no nariz, aquele cheirinho molhado, aquelas patinhas sapateando no assoalho toda noite pra fazer a ronda. E o pão... Ai, meu Deus, como dói!!!! Queria fazer uma homenagem a ele, mas além de tirar fotos só sei escrever. Eu o amo muito. Dói muito. Sofro muito. Já tive vários filhotes, mas tão inteligente como o Felipe, não sei... ainda acho que ele era humano, uma pessoa presa num corpo de animal. Aquele olhar, a maneira como entendia a nossa tristeza, o que falávamos, tanto que passamos a falar em códigos, como bis para biscrock, p~o para pão, porque ele já conhecia todas essas palavras. Dizíamos o nome das pessoas e ele já se dirigia a elas, ou imitávamos um tom de voz e ele já ia procurar o seu amigo pela casa.
Sinto que ele ainda vai voltar, que como estou doente, não o vejo por esse motivo. Vou tocar a campainha e sentirei as patinhas e o "ufff" dele na porta. Abrirão a porta e ele com o rabinho voador me pegará pelo pulso e me levará pra onde o pai dele estiver. Só então poderei acariciá-lo. Ele pegará a sua bolinha e desmanchará toda a caminha bem feita pela avó. Não sei porque estou escrevendo tudo isso. Há tempos não tenho mais diário, também não tenho mais segredos como outrora. Quando perdia meus amores, nisso incluo, bichos, avó, tios... eu escrevia e me sentia melhor. Bem, deixo aqui parte da minha vida com Felipe. Parte do meu amor por ele, porque é impossível descrever e escrever sobre esse animal em apenas um simples blog. Aprendi muito com Felipe e sua inteligênica fora do comum. E saber que eu era amada, faz eu me sentir melhor. Ser olhada, acariciada como mãe, faz eu ter certeza que ele era o meu bebê, meu filhote preto. Meu baboso. Felipe sempre estará presente em muitos corações, em muitas mentes e com aquele olhar de "quero pão".
Eu te amo muito, meu bebê!
Adeus, beijos, mais abraços e cheirinho em você pra sempre!

* Comentários:

Paulinho disse: " o texto é lindo e só fortalece minha convicção de que um dia, não importa quando vc, Gustavo e família o reencontrarão.acredito nisso desde quando perdi minha avó... "

Cris disse: " vim aqui ler o seu texto novbamente e, novamente, sinto que as lágrimas quase me chegam aos olhos. impossível não sofrer e não se emocionar lendo o seu relato tão verdadeiro. também acho que há animais que abrigam seres humanos dentro deles. a minha samara é uma delas e, talvez por isso, eu entendo tão bem o que você quer dizer. sei que deve estar doendo, mas o tempo vai trazer coisas boas pra vocês e o felipe será sempre um filhote a ser lembrado com ternura. obrigada pelo lindo texto. um beijo! "

* Agora que releio... nossa... que saudade... emocionante... depois de tanto tempo não consigo ainda descrever o que eu sinto... a ausência... a saudade nunca passa.

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