terça-feira, junho 09, 2009

Relembrando... professor e meu pai...

18 de junho de 2007

Sempre conversei muito com meu pai, mas nunca soube sua cor favorita. Hoje fui perguntá-lo e ele ficou em dúvida entre azul e verde. Bem, eu tenho tantas conversas, brincadeiras com ele em minha memória. Não gostaria de esquecer nada, mas infelizmente minha cabeça anda tão cheia de coisas que estou começando a esquecer fatos importantes.
Boa parte da minha vida, sonhei ser a "garota excêntrica" pra ser igual ao meu pai. Desde os 4 anos, imitava meu pai em tudo. Agenda igual, caneta de adulto igual, mesmos jogos, comecei a datilografar cedo, jogava cartas, guardava os livros dele pra eu ler quando fosse mais velha, imitava a maneira dele escrever e anotar as coisas importantes nos cadernos, até no modo de me vestir, eu era parecida, digo, excentricamente... é claro.
Mas sempre tive uma certeza de que NUNCA seria advogada. Poderia ser igual em tudo, menos nisso. Odiava aqueles processos velhos e rosados amarrados com elásticos igualmente velhos. Odiava aqueles assuntos, mas adorava os filmes de tribunal. Nunca ia conseguir ler aqueles códigos civel, penal...
Fui uma vez ao fórum e claro, detestei. Aos 8 anos comecei a frequentar a faculdade de Direito da UFF. Não assistia todas as aulas, só as do papai, é óbvio! Introdução ao Estudo do Direito. Até nas aulas, papai era excêntrico. Levava sua garrafa de 2 litros de água mineral MINALBA, seus processos velhos, e na maioria das vezes, aparecia com a braguilha da calça aberta e o cabelo molhado (sempre molhava o cabelo quando chegava na faculdade ou no escritório).
Sempre achei meu pai o máximo. Era visível no meu rosto e principalmente no meu olhar brilhante a admiração que eu tinha por ele. Sentava-me no fundo da sala, geralmente, todos me olhavam, estranhavam aquele pirralhinha educada sentada ali. Papai era do tipo de professor que causava amor ou ódio nos seus alunos. Muito inteligente, sempre jogava indiretas mais diretas que o normal e as sacadas dele, as provas então... ele colocava 3 perguntas, mas sempre uma história como introdução. Nada de decoreba... ele queria ver tudo ali: inteligência, estudo, raciocínio... Sempre reclamavam porque papai não passava matéria pra copiar nem o que ia cair nas provas. Eu delirava intimamente com a revolta daqueles idiotas.
Outra coisa maravilhosa era a método utilizado pelo Prof. Gastão pra dar notas. A nota mínina na faculdade era 6 então, pra ele 6 era 0. Ele fazia questão de dizer que quando dava 6, na verdade, estava dando 0. Nem sei enumerar quantas vezes já passei o dia com o papai no trabalho dele, IAPAS, faculdade, e mais tarde, escritório. Adorava estudar com ele, passar o dia com ele, passear com ele, brincar com ele. Ficava revoltada quando falavam que eu não me desgrudava da minha mãe, só porque era ela que me levava ao colégio e ia à padaria comigo comprar picolé e dulkora.
Até os meus 21 anos quando comecei a conhecer outras coisas na vida, eu e meu pai sempre fomos inseparáveis, ele sempre me educou bem e mal, sempre me ensinou coisas certas e erradas, porque ele foi um herói, sim, mas até os meus 15 anos.
Hoje ele continua a ser um pai que eu amo muito e que eu sempre amarei e respeitarei pelos seus erros e acertos como pai. Mas sempre foi um amigo presente. Não posso deixar de falar isso. Um homem excêntrico, engraçado, piadista, ótimo profissional, sincero até demais, bonito, bruto, carinhoso e... MEU PAI!

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